terça-feira, 9 de agosto de 2016

POKEMON E O AMOR DE DEUS




Na minha infância, muitos desenhos me marcaram. Como uma criança comum [daquela época], eu vivia assistindo alguns desenhos como Power Rangers, Beyblade, Dragon Ball, Pokémon, YuGiOh, entre outros. Porém, dentre todos esses, um me marcou bem mais do que os outros: Pokémon. Passei toda a minha infância assistindo mais Pokémon do que qualquer outro.

Após a minha conversão, eu tinha dentro da minhacabeça um bocado de conhecimento acerca destes desenhos, mas que se tornaram inúteis em se tratando da vida cristã. O apóstolo Paulo diz: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). O que fica bem nítido que é necessário usar tudo [e tudo é TUDO mesmo] para que Deus seja glorificado.

Pensando nisso, estava eu certo dia em minha casa e algo começou a martelar minha mente. Era o texto de 1 João 4.19, que diz “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. Por horas este verso ficou em minha mente, até que me lembrei de algumas épocas de minha infância, em que ficava vidrado ao ver Pokémon.

Um capítulo em específico me veio em mente, logo no início da 1ª temporada, mais precisamente nos episódios 1 e 2, quando ocorre o seguinte acontecimento:

Ash era um garoto que sonhava em ser um mestre Pokémon.
Chegando no dia em que ele iria receber seu primeiro Pokémon, ele se atrasou. Porém, havia um que ele se apaixonou, e logo o escolheu para si. Esse Pokémon era o famoso Pikachu [que todos conhecem]. No início, Ash só queria Pikachu porque queria um Pokémon. Logo que Ash escolheu Pikachu, o Pokémon não deu a mínima para seu treinador, antes o odiara e não o respeitava. Em certo momento da viagem de Ash e Pikachu, o garoto acerta uma pedra na cabeça de um outro pokémon chamado Spearow (Um pokémon pássaro). Esse Pokémon, após ser atacado por Ash [e também por Pikachu], chama o seu bando, que sai voando atrás de Ash e Pikachu. Em sua corrida, Pikachu sai um pouco de perto de Ash onde o bando de Spearow o ataca e o fere gravemente. É nesse momento em que Pikachu se vê fraco, sozinho e a desfalecer, até que Ash pula no meio de todos aqueles pássaros e abraça forte Pikachu, o protegendo e tomando todos os ataques para si. Naquele instante, naquela prova de amor, Pikachu passa a amar Ash, pois vê que o amor de Ash não era só de boca, mas sim em ações e em verdade (1 João 3.18).

Quando vemos esse exemplo em Pokémon e olhamos para a Palavra de Deus, destacamos alguns detalhes importantes:

➢ Ash demonstrou seu amor por Pikachu antes de Pikachu demonstrar o seu amor por Ash; Deus, da mesma maneira, demonstrou seu amor por nós quando Cristo morreu em nosso lugar (Romanos 5.8).

➢ Não foi Pikachu quem se ofereceu para ser Pokémon de Ash, antes, Ash foi quem se moveu e escolheu Pikachu para si; da mesma maneira, não fomos nós que escolhemos a Deus, mas sim Ele quem nos escolheu (João 15.16), e essa escolha não é por merecimento algum, mas sim segundo a boa vontade de Deus (Efésios 1.4-6).

➢ Pikachu só foi capaz de amar a Ash quando o garoto demonstrou seu amor primeiro; Deus foi quem nos amou primeiro (1 João 4.19), visto que nós não tínhamos essa capacidade devido a nossa natureza caída (Romanos 3.10-13) e morta (Efésios 2.1-2).

➢ O amor de Ash para com Pikachu tornou a reciprocidade algo
irresistível; assim como foi com Saulo (Atos 9) e com Jeremias
(Jeremias 31.3), Deus os atraiu a Ele mesmo e ambos não foram capazes de resistir. Assim é conosco, quando Deus muda o nosso coração, acrescenta em nós um coração de carne e nos
atrai até Ele, é impossível dizer não. Nós só conseguimos amá-Lo porque Ele mesmo nos amou e nos moldou primeiro.


É bem óbvio que este é um exemplo até que “bobo”, porém, de alguma maneira eu gostaria de passar a vocês para que edificasse de alguma maneira as vossas vidas, assim como Deus falou grandemente comigo acerca de como Ele me resgatou e me mostrou isso por meio deste exemplo. Não estou tentando comparar o poder de Deus com um desenho, mas sim facilitar a compreensão do quão grande Ele é mediante a isso, visto que nossa função é usar tudo para a glória Dele, me esforcei para que Ele fosse glorificado por meio deste breve exemplo A Deus seja a glória, o poder e a majestade para todo o sempre, Em Cristo.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Mais cristãos, menos teologia?


Vivemos numa sociedade que substituiu o objetivismo racional pelo subjetivismo relativo, ou seja, ao invés de fundamentar os pensamentos, as frases, os textos e tudo que expressa conhecimento através da formação de conceitos lógicos e reais, os indivíduos optam por basear-se naquilo que é vantajoso crer, norteando-se a partir de si mesmos, ou segundo a cultura em que está inserido.

Este tipo de filtro da realidade é muito comum na igrejas evangélicas brasileiras. O fiel faz uma leitura a partir de si mesmo, enfraquecendo as verdades da Escritura, e, por consequência, qualquer posicionamento dogmático é tratado como uma verdade preconceituosa, fundamentalista ou desprovida de amor.

Indivíduos efeminados não suportam a verdade e rejeitam qualquer tipo de reflexão que não seja superficial. É neste contexto que a frase título deste texto acaba sendo repetida. Cristãos rejeitam a todo custo o estudo da teologia, mas desejam que o cristianismo se multiplique. Contudo, a afirmação: “Mais cristãos, menos teologia” é uma contradição, pois é impossível crer em qualquer aspecto da fé cristã sem a reflexão teológica. Tal frase é tão incoerente como dizer “Desejo melhores resultados aritméticos, mas rejeito o estudo da matemática”.

A teologia não é — como muitos presumem injustamente — uma espécie de conhecimento extraordinário que nega todo tipo de espiritualidade e se encontra acessível apenas a uns poucos intelectuais superiores; pelo contrário, a teologia é simplesmente fé em busca de entendimento. Se cristãos comuns buscam respostas a perguntas que naturalmente brotam da fé, já estão fazendo teologia.

O termo “teologia” é formado pela combinação de duas palavras gregas: theos, que significa “Deus”, e logos, que significa “razão”, “sabedoria” ou “pensamento”. Portanto, teologia significa literalmente “pensamento de Deus” ou “raciocinar sobre Deus”.
É possível afirmar que qualquer pensamento sobre qualquer tipo de divindade é uma reflexão teológica, mas não é impossível afirmar que todo tipo de reflexão teológica é verdadeira.

O filósofo e teólogo R. C. Sproul faz a seguinte afirmação: “Nenhum cristão pode evitar a teologia. Todo cristão é um teólogo. Ele pode não ser um teólogo no sentido técnico ou profissional, mas ainda é um teólogo. A questão não é ser ou não ser um teólogo, mas se somos bons ou maus teólogos”.

Partindo desta afirmação segue um leque teológico que vai desde a “teologia popular” até seu oposto, a “teologia acadêmica”.

A teologia popular é baseada simplesmente na crença não refletida; é uma fé cega que costuma valorizar tradição, liderança e todo tipo de afirmação religiosa sem ao menos se questionar se aquilo é realmente reflexo do que a Escritura ensina.Este tipo de teologia rejeita a reflexão crítica e de forma calorosa abraça crenças e práticas formadas primordialmente por clichês e lendas.

Os adeptos deste tipo de teologia jamais considerariam teólogos como cristãos empenhados em conhecer a Escritura para ajudar a igreja, pois em todo momento os mesmos repudiam o estudo das Escrituras.Os indivíduos que compartilham desta cosmovisão simplesmente creem em frases prontas de efeito que soam espirituais, ou porque tais ditos populares são comunicados por alguém considerado espiritual que os transmite uma sensação de superioridade ou de que supostamente tem maior contato com a divindade.

O segundo nível de reflexão teológica se chama "teologia leiga". Este grau pode ser descrito como um avanço radical em relação ao primeiro nível.O primeiro sinal de um cristão que começa a caminhar neste segundo nível se dá quando questiona os clichês e lendas superficiais da teologia popular. Uma mistura de fé sincera com uma vontade grande de examinar e entender a sua crença causa este primeiro impulso. O cristão leigo começa a analisar louvores, pregações e até atitudes diárias de seus companheiros e líderes, e busca basear esta análise nas Escrituras.

Mas grande parte dos teólogos populares desenvolve um enorme preconceito em relação aos seus irmãos leigos. Os teólogos populares classificam essa nova atitude dos leigos como a evidência de diminuição da espiritualidade. Essa reação costuma desencorajar e intimidar os leigos; alguns retornam a fé mítica, pois a postura anti-intelectual parece mais confortável.

O próximo nível de compreensão teológica ocorre a partir da fé refletida por ministros treinados e educadores nas igrejas cristãs. Nomeia-se este grau de "teologia ministerial". Este é o terceiro nível, que anda na contramão dos populares e eleva-se acima da teologia leiga.

O teólogo ministerial é ferramenta imprescindível nos arraias cristão. Igrejas que não são norteadas por estes ministros estão fadadas ao fracasso espiritual e corre enorme risco de serem dominadas por lobos devoradores.Os teólogos ministeriais costumam utilizar todo tipo de ferramenta disponível para estudar, basear sua fé e adquirir sabedoria para utilizá-la na igreja. 

Esses têm conhecimento básico de idiomas bíblicos, ou pelo menos habilidade no uso de concordâncias, comentários, softwares relacionados às Escrituras, além de um conhecimento razoável das perspectivas históricas acerca do desenvolvimento da teologia no curso da história do cristianismo. Possuem também pensamento sistemático perspicaz apto a reconhecer inconsistências entre crenças e a estabelecer a coerência entre um item e outro da fé.

A partir daqui o conhecimento teológico se torna extremamente profundo, e o estudioso costuma lidar com questões extremamente difíceis da nossa fé.

Neste contexto estão inseridos os teólogo profissionais e os acadêmicos.

O teólogo profissional é alguém cuja vocação requer extrema habilidade com as ferramentas utilizadas pelo teólogo ministerial. Estes mestres buscam arrancar os cristãos do pensamento popular, formando neles a consciência crítica. Os métodos utilizados por eles são publicações de livros e artigos, palestras, oficinas e até mesmo métodos ministeriais como a pregação. Os teólogos profissionais são servos essenciais da comunidade cristã, pois ajudam pessoas a pensarem como Cristo, a fim que possam ser mais eficazes no testemunho e no serviço, tanto na igreja quanto na vida diária.

Na ponta deste enorme iceberg estão os teólogos acadêmicos, que são extremamente especulativos, quase filósofos, e nem sempre estão ligados à igreja.Estes cristãos costumam levar a reflexão teológica longe demais, separando-a da fé e buscando o entendimento em proveito próprio. Quem nunca se deparou com um suposto teólogo acadêmico que ao invés de defender uma verdade para glorificar a Deus, a faz para inchar o seu ego e demonstrar aos outros que possuí enorme conhecimento?

Verdadeiramente, os acadêmicos que agem desta forma fazem um enorme desserviço ao evangelho de Cristo, além de viver uma falsa piedade.Por outro lado, os acadêmicos piedosos podem através do examinar as Escrituras minuciosamente contribuir para edificação dos pilares de todo cristianismo.

Onde você se encontra? Sua reflexão teologia é superficial e baseada em mitos ou é extremamente aplicada e narcisista? 
Com toda certeza estes dois extremos podem ser prejudiciais, por este motivo é necessário que todo cristão, além de investigar as Escrituras, tenha uma vida em plena comunhão com Deus, e faça tudo para glória Dele.

Nem todas as teologias são iguais, mas é necessário que você direcione de maneira coerente e bíblica o estudo sobre Deus.

Higor Crisostomo
  


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[i] STANLEY J. Grenz & OLSON E Roger, Iniciação à Teologia: um convite ao estudo acerca de Deus e de sua relação com o ser humano, SP: Editora Vida, 2006.
[ii] Evangelho de Mateus 7:15;23.
[iii] Termo utilizado como sátira, pois os teólogos acadêmicos tem a tendência de se tornarem frios como um iceberg.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

VONTADE DECRETIVA x VONTADE PRECEPTIVA



Dentro da teologia reformada há um estudo de que Deus possui duas vontades: Uma chamada Vontade Preceptiva - Que é a vontade moral de Deus - e essa pode ser contrariada 

E a Vontade Decretiva de Deus que NEM SEMPRE esta de acordo com a preceptiva e está vontade nunca é contrariada.

Deus decreta que algo aconteça, mas também deseja que algo diferente daquilo que ele decretou venha a acontecer...
Deus é sem variação e sem mudança, e Ele não mudou por ter duas vontades, porque Ele sempre agiu com as duas vontades! 
Devemos ser guiados pelos textos bíblicos e não pela lógica ou pela filosofia humana.
Quando tratamos de questões obscuras o nosso guia deve ser as Escrituras e não o nosso limitado raciocínio.

Alguns exemplos por toda Bíblia sobre a vontade decreta e preceptiva de Deus:

- A traição de Judas foi um pecado e envolveu a instrumentalidade de Satanás (Lucas 22.3), no entanto, era parte do plano ordenado por Deus (Atos 2:23)
O Pai queria que o Filho fosse entregue, embora isso fosse pecado (Atos 4)
A rebeldia das personagens envolvidas na crucificação foi um serviço inconsciente para os misteriosos desígnios de Deus.
Então podemos concluir que a morte de Jesus deixa evidente que Deus quer, em um sentido, o que Ele não quer em outro.

- O endurecimento do coração de alguns homens

1) Faraó (Êxodo 8.1 x Êxodo 4.21) = Deus ordenou que Faraó fizesse algo que o próprio Deus não queria permitir.
2) Marcos 4.11-12 x Marcos 1:15 - Ao mesmo tempo que Jesus alerta que o tempo está chegando e que é necessário crer e se arrepender, Ele fala por parábolas para que só os que Deus deseja que se salvem seja dado entendimento para crerem e se arrependerem e aos que não é dado entendimento não crerão nem se arrependerão. 

- Deus escolhe usar ou não o seu direito de restringir o mal no coração do homem 

1) Gênesis 20 - o caso de Abraão e Abimeleque - Deus tem direito de restringir os pecados dos governantes seculares.

2) Em contrapartida, há ocasiões em que Deus não usa este direito porque deseja que o mal humano siga o seu curso (I Samuel 2.22-25) "porque o Senhor os queria matar (v25) - que coisa impressionante!
- Porém vemos em Ezequiel 18.23 que o Senhor não tem prazer na morte do perverso.
Podemos ver aqui as duas vontades de Deus, em um sentido (vontade preceptiva) Deus não deseja a morte do perverso, mas em sua vontade decretiva Deus desejou matar os filhos de Eli.

3) Em contraste também com Ezequiel 18.23 temos Deuteronômio 28.63 - onde afirma que Deus sente prazer na morte dos perversos daquele contexto... A única forma de entendermos essas duas verdades é entendendo que Deus tem uma natureza dotada de duas vontades. A decretiva e a preceptiva. Deus quer um estado de coisas que, em outro sentido, ele desaprova.

- I Reis 22:19-23 - Aqui vemos que os espíritos malignos estão sujeitos a vontade de Deus - Satanás não pode fazer nada contra a vida de alguém se não for da vontade de Deus.
Deus pode usar espíritos malignos para cumprir os seus propósitos = "O Diabo é o Diabo de Deus" - Lutero 

Deus ordena que suas criaturas não mintam ou enganem (vontade preceptiva), contudo, temos aqui a instância em que Deus "pôs um espírito mentiroso na boca" dos homens (vontade decretiva) - ou seja, todas as criaturas de Deus são obrigados a moralmente a dizer a verdade (vontade preceptiva), mas Deus pôs um espírito mentiroso na boca dos homens (vontade decretiva)

Portanto, Deus pode sim desejar que as pessoas sejam salvas (por sua vontade preceptiva), mas isso não significa que Ele tenha decretado que isso aconteça.

Como vemos em Mateus 23:37 (como em outros também como I Timóteo 2.3,4 {nesse é possível outra leitura sem ser vd e vp}; II Pedro 3.9) "eu quis" = vontade, desejou anseio (vontade preceptiva) - e por que não fez? Ele poderia fazer uma vez que é Todo-Poderoso.
Apesar de Deus ter vontade de salvar todos os perdidos (vontade preceptiva), Ele não decretou salvar todos os perdidos. (vontade decretiva).

Muitos textos revelam o amor universal de Deus, mas eles não são armas contra a eleição incondicional, pois o que vai prevalecer é a vontade decretiva de Deus.

Romanos 9 é um vislumbre que pode ser o motivo do porquê de mesmo Deus querendo salvar todos por sua vontade preceptiva, não o faz. Romanos 9 fala que Deus é glorificado tanto com a salvação quanto com a condenação.

Vale lembrar que a vontade preceptiva é aquela que conhecemos através da Palavra e devemos obediência.

A vontade decretiva de Deus é mistério para nós, só sabemos quando acontece.

José por exemplo...

Não era da vontade preceptiva de Deus que seus irmãos o vendessem como escravo no Egito. Eles são responsáveis e culpados por irem contra a vontade preceptiva de Deus. 
Lembrem-se Deus julga os homens de acordo com sua vontade preceptiva!

Porém, foi a vontade decretiva de Deus que os irmãos de José o vendessem... Mais tarde José foi instrumento de Deus para alertar o rei do Egito interpretando seus sonhos sobre os anos de fartura e necessidade... José precisou estar lá para que o povo de Israel não perecesse!

Seria Deus então o autor do pecado e o homem não responsável no fim das contas? Afinal, tudo segue o curso da vontade decretiva de Deus....

de maneira nenhuma!

Ao mesmo tempo que a Bíblia diz que tudo que ocorre está debaixo da vontade decretiva de Deus... a mesma Bíblia diz que somos responsáveis por descumprir a vontade preceptiva de Deus.

É a Soberania de Deus x Responsabilidade Humana que só Deuteronômio 29.29 pode nos ajudar nesse momento, pois são duas verdades bíblicas.

domingo, 17 de julho de 2016

França e a disciplina divina.



Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás? Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.
Habacuque 1:2-4

Habacuque viveu em uma época muito amarga da tribo de Israel. Deus o levantou para ser profeta, mas tudo que Habacuque conseguia ver era o desprezo do povo em relação a  Lei de Deus. Os primeiros 4 versículos do livro, mostra o profeta questionando Deus a respeito de como Ele estava tratando da situação, falando que Deus não estava exercendo sua justiça. A partir do versículo 5, Deus responde aos questionamentos de Habacuque: 

“Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada. Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas".
Habacuque 1:5,6

Habacuque ainda tenta questionar Deus falando: "Não és tu desde a eternidade, ó Senhor meu Deus, meu Santo? Nós não morreremos. Ó Senhor, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar (1:12), mas Deus implacavelmente responde: “Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo”(2.2).

A graciosa revelação de Deus nos mostra como Deus trata um povo que se rebela contra Ele incansavelmente. A França a muito abandonou o temor de Deus, e se entregou a sua autossuficiência. É provável que Deus tenha usado ímpios, como terroristas, para despejar sua ira contra essa nação?
Uma coisa é certa: Deus não está de olhos tampados para humanidade, e o remédio que Ele usar será conforme a doença a ser tratada. 

A França precisa se voltar a Deus, ou todo o povo gemerá.
Sabendo disso, o que Deus espera dos justos em meio a tanta desgraça? A mesma conclusão e confiança que o profeta encontra em Deus no último capítulo do livro: 

"Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas (3.17-19)". 

Ou confiamos nesse Deus soberano, ou estamos fadados à impiedade e a comunhão com as trevas. Que possamos saber reconhecer não somente as bênçãos de Deus, mas também louvá-lo pelos seus justos juízos.

 Daniel Scatena

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Sodoma é aqui


Dentro da teologia cristã brasileira, a palavra mais usada para descrever a prática homossexual é “sodomita”. Curiosamente, este termo aparece apenas três vezes na Escritura (Deuteronômio 23:18 - I Coríntios 6:9 - I Timóteo 1:10). No Antigo Testamento aparece em forma de "כֶּ֗לֶב – keleb" – que literalmente significa cão, mas aqui é usado referindo-se a prostitutos cultuais existentes na cidade de Sodoma”, e no Novo Testamento aparece como "αρσενοκοιτης – arsenokoites" – que significa homem que se deita na cama com outro homem para ter relação sexual”. Os termos não trazem a raiz da palavra Sodoma "סְדֹם – Sedom", mas apontam diretamente para a história dessa cidade.

Sodoma e Gomorra estavam localizadas no "vale de Sidom", no mar Morto, e a bíblia narra que Ló, sobrinho do patriarca Abraão, habitava lá com a sua família (Gênesis 13:10-11).


Certo dia, Deus apareceu a Abraão e apresentou a situação pecaminosa de Sodoma e de sua vizinha Gomorra, anunciando juízo sobre essas cidades (Gênesis 18:20-33). Deus iria destruir as duas cidades por conta imoralidade daquele povo, caso não encontrasse o número de dez justos naquele local. 


Os pecados de Sodoma e Gomorra foram muitos (Ezequiel16:49-50), mas as principais práticas que levaram Deus a trazer juízo estavam ligadas ao homossexualismo e imoralidade sexual (Ezequiel 16:50 - Judas 1:7). 


No Antigo Testamento, a palavra usada pelo profeta Ezequiel para descrever um dos pecados de Sodoma e Gomorra é "תוֹעֵבָ֖ה - towÌebah", que traduzida, significa "abominação", apontando para o homossexualismo (Levítico 18:22). Os pecados classificados como abomináveis sempre são tratados por Deus com mais rigor, e para o pecado do homossexualismo, Deus prescreveu pena capital (Levítico 18:7-17, 29; 20:11-12). 


Contudo, toda a iniquidade de Sodoma e Gomorra tem um agravante: os pecados sexuais das duas cidades eram praticados publicamente. 


Quando os anjos do Senhor chegam à cidade de Sodoma, vão até a casa de Ló. Ele convida os anjos para passarem a noite em sua casa, mas os homens de Sodoma, sabendo da chegada dos forasteiros, quiseram ter relações sexuais com eles (Gênesis 19:4-8). Desde os mais moços até os mais velhos daquela cidade, se reuniram em frente a casa de Ló, e clamaram para que ele trouxesse os anjos para fora, para que fossem abusados. Os cidadãos da cidade de Gomorra não tinham vergonha nem escondiam suas práticas homossexuais, mas se inflamavam em seus desejos, e tentaram estuprar os anjos.


Nos dias de hoje não é diferente. Em um poema irônico, Philip Larkin escreveu: “A relação sexual começou em 1963”, data da aclamada Revolução Sexual. 


Hoje, homens e mulheres podem desfrutar das relações sexuais sem quaisquer das acusações sociais, psicológicas ou religiosas que supostamente reprimiam a vida. Vivemos um caos sexual.


Todo este cenário descontrolado acentua o comportamento homossexual, pois onde há liberdade total, surge também a diversidade. Os homens e as mulheres podem variar a forma de se relacionar a todo o momento. Nunca na história houve tanta prática homossexual pública e aprovação da mesma. Até mesmo na Grécia Antiga, onde existem muitos registros de práticas homossexuais na arte e na literatura, não implicava que os gregos aceitavam pacificamente tal conduta. Aristóteles, Heródoto, Aristófanes e muitos filósofos cínicos e estóicos, expressaram a sua desaprovação moral de tais práticas.


Por fim, em volta dos anos 70, surgiu um movimento homossexual organizado e militante. Agora o homossexual não deseja apenas praticar suas perversões dentro de seu contexto, mas deseja influenciar toda esfera da sociedade, estabelecendo este padrão de vida como preceito.


Em um espaço curto de tempo, este comportamento começa influenciar as artes, e nunca antes tantos homossexuais haviam alcançado tamanho destaque na literatura, na política, no teatro, na televisão e em outras esferas da sociedade.


No Brasil, grupos homossexuais se organizam anualmente para uma passeata em um dos principais pontos turísticos de São Paulo, a chamada "Parada Gay". Já na TV, novelas, seriados, programas de debate, tentam sistematizar a cosmovisão gay dentro da sociedade. Como em Sodoma, um pecado que antes era de esfera particular, agora é público; aquilo que era feito em oculto, agora se torna regra; Sodoma é aqui!


E nessa semana (12/07), a Rede Globo exibiu em sua novela "Liberdade, Liberdade" uma cena funesta: dois homens tendo relação sexual. Foi a primeira cena de sexo entre homens da teledramaturgia brasileira, cena esta que levou os homossexuais militantes a comemorarem.


O ponto da discussão teológica sobre este acontecimento lamentável não é se um cristão deve ou não assistir tal programação imoral, pois acredito que dentro da visão de mundo cristã, o fiel deve automaticamente se afastar de toda imoralidade exibida na televisão, o problema é como o cristão deve agir diante de toda essa militância e pecado abominável público.


Dentro do contexto evangélico existe o falso ensinamento que amar ao próximo é tolerar o pecado, como se existisse um deus chamado amor, e o culto a este deus fosse a tolerância. É claro, devemos amar nosso próximo (Marcos 12:31), mas quem ama o próximo, ensina-o no caminho correto. Paulo ensina a Timóteo que ele deve pregar a palavra sempre, corrigindo, repreendendo e exortando (2 Timóteo 4:1-2), e é isso que devemos fazer em relação ao pecado do homossexualismo.


Temos que deixar claro que Deus condena o homossexualismo, e não houve uma época que essa prática foi aceitável. 


Antes da Lei de Deus, os patriarcas já censuravam essa prática (Gênesis 19.1-28). Na Lei de Deus, a repulsa a este comportamento também foi registrado (Levitíco 18.22; 20.13). Na Revelação do Novo Testamento, a proibição também é muito clara (Romanos 1.18-27; 1 Coríntios 6.9-10), e toda essa condenação ocorre porque a prática homossexual ofende diretamente a primeira instituição criada por Deus, a família (Gn 2.18-25; Mt 19.4-6; Ef 5.22-33).


Na mente do cristão, é necessário que as proibições bíblicas sejam claras, e no dia-dia, quando questionado por amigos, vizinhos e até mesmo parentes, o cristão tem que ser firme em apontar que o Deus verdadeiro repudia tanto a prática, quanto a exposição e até mesmo a aceitação passiva deste comportamento (Romanos 1:32).


Após ter em mente, o problema tão grave que o homossexualismo é, o cristão deve apresentar a solução para este pecado, que se chama Jesus Cristo (2 Co 4.5).


Jesus oferece perdão, salvação, esperança e vida eterna àqueles que se arrependem e começam uma nova vida guiada pelas boas novas do Evangelho (Lc 15:7). 


O sacrifício de Cristo santifica todo pecador arrependido (1 Co 6.11), e o plano para muitos homossexuais é a salvação.

A satisfação que o pecado traz para o homem é ilusória, mas a plena satisfação em Cristo é eterna (Rom. 10:9-11 - Efésios 2.13 - Apocalipse 3:5).

Em Cristo, até o mais pútrido pecado pode ser perdoado, e aquele que confessa Cristo como Salvador é salvo (Romamos 10:9-10).



Higor Crisostomo

terça-feira, 12 de julho de 2016

Ninguém explica Deus?




Um dos assuntos mais comentados na semana passada nas redes sociais por cristãos reformados e também os evangélicos foi a respeito da canção “Ninguém explica Deus”. Inclusive, a intensidade das críticas e elogios aumentou quando a página Cante as Escrituras  postou um texto apontando supostos erros da canção.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Feliciano e Felipe Neto, uma análise bíblica do debate



No dia 5 de julho, o vlogger Felipe Neto, famoso pelo seu antigo canal chamado "Não faz Sentido", onde trazia comentários sobre temas polêmicos em um formato de vlog, postou em seu canal um vídeo com o título "FELIPE NETO E MARCO FELICIANO - DEBATE",